A importância dos Relatórios Geográficos de Riscos ou “Country Risk Reports” para os decisores [1]


Quando olhamos para o panorama internacional como portugueses, ficamos com a falsa sensação de que Portugal e os portugueses pouco terão a sofrer directamente de acções levadas a cabo por organizações terroristas ou criminosas ou alterações políticas, económicas ou sociais. Essa é uma ideia incorrecta se analisarmos mesmo superficialmente a nova realidade e as características dos mais recentes ataques terroristas ou acções criminosas em solo estrangeiro e as tendências futuras que apontam e mesmo os recentes acontecimentos políticos, económicos e sociais em Estados que pareciam sólidos e em que poucos indícios faziam prever alterações no horizonte temporal mais próximo.


Nesse sentido, anteriormente a agora cada vez mais se torna necessário para as empresas, os seus líderes e as diversas organizações compreender esta nova realidade, com o auxílio importantíssimo de profissionais experientes e da área que, debruçando-se sobre assuntos de política; de economia e sociais de cada Estado reúnem um conjunto de notícias – recolhidas online e no terreno, de contactos e de fontes – que servem, na data em que são disponibilizadas, de barómetro para os riscos mais comuns e imediatos no território sobre o qual incidem.


Passamos a dar alguns argumentos e exemplos quanto à importância dos relatórios da IntellCorp para o cliente:


[1] Terrorismo;

[2] Questões políticas;

[3] Questões económicas;

[4] Questões sociais.



[1] Terrorismo:


Se os recentes atentados nos despertam para um tipo de violência à qual a Europa não estava habituada, estas acções nada de novo trazem ao que se deveria esperar já há algum tempo e se tem procurado prevenir e antecipar, infelizmente sem sucesso nos casos noticiados. Contudo, muitas outras situações – não noticiadas em tempo real mas conhecidas à posteriori, por óbvias questões de segurança – têm sido evitadas por acção dos diversos Serviços de Informações e Forças de Segurança.


A nova face do terrorismo assume contornos de guerra irregular ou de baixa intensidade entre um grande número de Estados (na sua maioria ocidentais) e grupos e subgrupos tribais, regidos por interesses próprios e com uma doutrina pouco consistente mas partilhada entre eles com uma plasticidade que dificulta a antecipação das suas novas acções. Estes grupos, que se organizam e reorganizam, expandem com grande facilidade numa lógica de “onde um elemento ou uma célula está, está representado o grupo” e sem a procura de superação de uma objectivo no curto ou médio prazo investem em acções low cost com recurso à introdução de elementos no terreno ou utilização de elementos aparentemente integrados para causar o máximo de danos com o mínimo de meios.


Se consultarmos o Global Terrorism Index 2015, do IEP/START, quanto ao ranking dos Estados mais afectados pelo terrorismo e com mais risco de virem a constituir um alvo para acções futuras, podemos ver que a posição de Portugal, no 110º lugar – Lowest impact of terrorism -, nos indica ser o terrorismo algo com que pouco nos tenhamos de preocupar internamente. Mas isso é se não passarmos de uma análise e interpretação linear dos dados. Na realidade, podemos igualmente ver que a posição da Bélgica, em 82º lugar – Lowest impact of terrorism -, indica um risco baixo semelhante e recentemente teve-se a infeliz oportunidade de confirmar que o risco terá sido subestimado com o triplo ataque a Bruxelas que deixou um rasto de 32 mortos e 300 outras vítimas.


Nesta fase, nenhuma empresa em expansão; executivo em viagem ou outro tipo de organização nas suas actividades diárias pode subestimar esta crescente ameaça, o terrorismo e as consequências directas à segurança das suas operações e segurança e moral dos seus empregados. Neste quadro, destaca-se em Portugal o recente reforço das medidas de prevenção anti-terrorismo noticiadas e o reconhecimento por parte dos Serviços de Contra-Informações portugueses (o “Serviço de Informações de Segurança – SIS”) de que existe uma ameaça terrorista directa a Portugal.


[2] Questões políticas:


Neste ponto, a primeira coisa que surgirá na mente da maior parte das pessoas é o golpe de Estado. De facto, entre 2010 e 2016 houve cerca de 30 tentativas de golpe de Estado (umas com sucesso e outras goradas), das quais a última terá sido a da Turquia, mas acrescem para cima de 70 tentativas de revolução, levantamentos populares e movimentos organizados de protesto contra o Estado (disruptivos) e para cima de 40 greves gerais de grandes dimensões.


Se não bastar para colocar qualquer empresa pouco à vontade, pensemos que as políticas e a legislação são obra dos actuais e passados governantes e podem sofrer anulações. Temos igualmente as privatizações e nacionalizações. Temos as mudanças súbitas de políticas, por conveniência eleitoral ou mudança de actores políticos como a fraca prestação de um qualquer ministro de determinada pasta que é demitido ou os anticorpos criados em redor da imagem de determinado político que obrigam a renegociações com sindicatos ou simplesmente cedência ou sacrifício das empresas em prol de uma pacificação social temporária. Temos os escândalos políticos súbitos. Temos as influências externas ao Estado. Enfim, existe um grande número de possibilidades a serem consideradas quando se acompanha uma determinada área geopolítica que dificilmente são monitoradas por instituições ou organismos públicos ou se podem resumir em relatórios espaçados ou de levantamento generalista como o que é fornecido a empresas que pretendem expandir para o exterior do seu território nacional.


Na prática, uma monitorização da vertente política de um Estado, incluindo as áreas de defesa e segurança e os principais actores; os pontos fortes e as diversas vulnerabilidades são uma função que dificilmente pode ser exercida por funcionários de uma empresa não especializada ou mesmo pela compilação de literatura oficial disponível em que “maquilhar” e “atrair” ou as notícias de fonte aberta, que se regem por interesses mediáticos naturais específicos dos órgãos de comunicação social e cujo alvo é um público mais vasto, em detrimento de um aprofundamento de assuntos de interesse para o cliente da IntellCorp.


[3] Questões económicas:


Neste ponto, não obstante as empresas estarem mais bem informadas acabam por ignorar determinados sinais e não estar na posse de matéria do seu interesse imprescindível à tomada correcta de decisões. Assim não fosse e muitas das recentes situações com as instituições bancárias poderiam ter tomado um outro rumo, eventualmente mais feliz para alguns dos depositantes e das empresas envolvidas.


Quem tem por competência trabalhar em Intelligence não se pode dar ao luxo de ignorar sinais que sobejamente vieram antecipadamente a público de que algumas das instituições iriam ter graves problemas num futuro próximo. Não faltaram vozes de diversos actores e sectores internacionais com emissão de relatórios ou meras declarações permitindo uma preparação para o que se avizinhava.


O papel da Intelligence nesta área é combinar uma pesquisa rigorosa mas ampla que permita um acompanhamento permanente e uma prevenção adequada, evitando às empresas serem apanhadas desprevenidas. O papel da IntellCorp para com o cliente, enquanto profissionais de Intelligence é acompanhar a actualidade a todos os níveis e com todos os seus recursos permitindo o acesso aos líderes das empresas de um serviço que geralmente só se encontra acessível a Chefes de Estado.


Continua...

Fique atento à 2ªParte!


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